Mais de 28 países concordam com desenvolvimento seguro e responsável da Inteligência Artificial de fronteira na histórica Bletchey Declaration

A Bletchey Declaration consiste em uma declaração sobre a segurança da Inteligência Artificial. Trata-se de um acordo inédito entre 28 países, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos, a China, Brasil e a União Europeia, que estabelece um entendimento compartilhado das oportunidades e riscos apresentados pela IA de fronteira e a necessidade de os governos trabalharem juntos para enfrentar os desafios mais significativos.

A Declaração foi publicada em 1º de novembro de 2023, após uma cúpula de dois dias realizada no Bletchley Park, local histórico onde os criptógrafos britânicos quebraram os códigos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Nesse sentido, é importante esclarecer que a IA de fronteira é definida como sistemas de inteligência artificial que apresentam os riscos mais urgentes e perigosos, como questões de controle, uso indevido intencional ou problemas de segurança cibernética, biotecnologia e desinformação.

Os países signatários da Declaração reconhecem que há “potencial para danos graves, até catastróficos, deliberados ou não intencionais, decorrentes das capacidades mais significativas desses modelos de IA” e concordam com a urgente necessidade de compreender e gerenciar coletivamente os riscos potenciais por meio de um novo esforço global conjunto para garantir que a IA seja desenvolvida e implantada de forma segura e responsável para o benefício da comunidade global.

A Declaração também estabelece o acordo sobre a necessidade de uma cooperação internacional sustentada na pesquisa e na segurança da IA de fronteira, especialmente por meio de uma maior colaboração científica. As conversas na cúpula contaram com a participação de empresas e especialistas líderes em IA de fronteira da academia e da sociedade civil. Os países também observaram os riscos além da IA de fronteira, incluindo viés e privacidade.

Assim, diante das diretrizes trazidas na Declaração, os países que a endossam incluem Brasil, França, Índia, Irlanda, Japão, Quênia, Reino da Arábia Saudita, Nigéria e Emirados Árabes Unidos.

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, anunciou durante um discurso em Londres que os Estados Unidos estão estabelecendo um novo Instituto de Segurança da IA, que desenvolverá avaliações conhecidas como “red teaming” para avaliar os riscos dos sistemas de IA. Ela também revelou um rascunho de novas regulamentações que regem o uso da inteligência artificial pelos trabalhadores federais, que poderiam ter amplas implicações em todo o Vale do Silício.

Em complemento, o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, ainda salientou que “esta é uma conquista histórica que vê as maiores potências de IA do mundo concordarem com a urgência por trás da compreensão dos riscos da IA – ajudando a garantir o futuro a longo prazo de nossos filhos e netos.” 

Ademais, destaca-se que o Reino Unido foi o país anfitrião da primeira cúpula sobre a segurança da IA de fronteira e já confirmou que haverá outras cúpulas no futuro. E já adiantaram que o próximo país anfitrião será o Japão em 2024.

Agora, basta aguardamos o que está por vir após delimitadas as oportunidades e riscos apresentados pela IA de fronteira e como os países trabalharão em conjunto.

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