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Uso de IA dentro das empresas: entre produtividade, governança e novos riscos corporativos

A inteligência artificial deixou de ser uma tendência experimental e passou a ocupar espaço relevante na rotina das empresas. Ferramentas de IA já são utilizadas para automatizar tarefas, analisar grandes volumes de dados, apoiar decisões, otimizar atendimento, produzir documentos, revisar contratos, organizar informações e aumentar a produtividade de equipes.

A discussão ganhou novo impulso com a declaração de Nikesh Arora, CEO da Palo Alto Networks, sobre o chamado “momento darwinista” do mercado de trabalho diante da IA. Segundo a matéria publicada pelo InfoMoney, a tecnologia vem automatizando tarefas rotineiras e redefinindo funções inteiras, exigindo que profissionais desenvolvam novas competências para se manterem competitivos.

Para empresas, esse cenário exige uma leitura estratégica. A IA pode trazer ganhos expressivos de eficiência, produtividade e capacidade analítica. No entanto, sua adoção sem governança pode gerar riscos jurídicos, trabalhistas, regulatórios, contratuais e reputacionais.

O primeiro ponto de atenção envolve proteção de dados e confidencialidade. O uso de ferramentas de IA, especialmente generativas, pode envolver a inserção de dados pessoais, informações de clientes, documentos internos, estratégias comerciais e dados sensíveis em ambientes externos. Sem controles adequados, essa prática pode gerar exposição indevida de informações e conflitos com a LGPD, contratos de confidencialidade e políticas internas de segurança da informação.

Outro aspecto relevante é a qualidade das decisões apoiadas por IA. Sistemas automatizados podem reproduzir vieses, gerar respostas imprecisas, utilizar dados desatualizados ou produzir recomendações sem transparência suficiente. Por isso, a supervisão humana deve permanecer como elemento essencial, especialmente em decisões que afetem pessoas, clientes, empregados, consumidores ou terceiros.

No campo trabalhista, a IA também impõe desafios importantes. A automação pode alterar funções, redefinir metas de produtividade, modificar competências exigidas e impactar estruturas de equipe. Empresas devem avaliar esses movimentos com cautela, considerando obrigações trabalhistas, comunicação interna, capacitação, requalificação profissional e prevenção de práticas discriminatórias.

A adoção de IA também exige atenção contratual. Organizações que contratam fornecedores de tecnologia devem revisar cláusulas sobre segurança da informação, tratamento de dados pessoais, propriedade intelectual, responsabilidade por falhas, confidencialidade, auditoria, continuidade do serviço e uso dos dados inseridos na ferramenta para treinamento de modelos.

Diante desse cenário, recomenda-se que empresas desenvolvam uma política corporativa de uso de IA. Essa política deve estabelecer quais ferramentas são autorizadas, quais tipos de informações não podem ser inseridas, quais atividades exigem validação humana, como os riscos serão avaliados e quais áreas serão responsáveis pela governança do tema.

Também é recomendável mapear os usos atuais de IA dentro da organização, treinar colaboradores, revisar contratos com fornecedores, implementar controles de segurança, documentar decisões automatizadas e criar comitês ou instâncias internas para acompanhamento da evolução tecnológica.

A inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta estratégica, não apenas operacional. Empresas que conseguirem integrar tecnologia, governança, proteção de dados, capacitação e gestão de riscos estarão mais preparadas para aproveitar os benefícios da IA de forma sustentável e juridicamente segura.

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